quarta-feira, 1 de maio de 2013

MUNDO VERDADEIRO



José Ventura Filho
 
Andando sobre as nuvens, sem se importar com o consumismo desenfreado pelo modelo político, social e econômico, vou espontaneamente ao encontro de mim mesmo e da descoberta dos valores sentimentais e humanitários. Hoje, longe demais.

Desço apenas ao plano terrestre para vencer os acontecimentos cheios de falsidades, hipocrisias e infantilidades, todos lançados pelo ódio, à ganância e a inveja, sentimentos revestidos de menosprezos, qual repugno de imediato. 

Deleito-me sobre as sombras de qualquer árvore frondosa, porque ali repouso e recebo o sossego merecido. Não tem taxa ou qualquer cobrança do seu uso. 

Ando refletindo, sem qualquer compromisso, pelas ruas silenciosas da cidade, embora desprendendo dos cuidados necessários para que possa evitar as intempéries advindas das ondas cheias de violências, decorrentes das ações inertes da sociedade.

Ninguém mais fala das águas dos mares, dos rios, dos riachos, dos córregos e das fontes; das colinas, das relvas, das árvores, dos campos, dos animais silvestres, dos cantos dos pássaros, dos jardins, das praças, das rosas, dos passeios, dos namoros, das brincadeiras infantis, das prosas e das músicas puras que nos levam a um estágio sereno e ameno às boas recordações, evocando buquês de nostalgias e emoções...

Não se falam mais da chuva, dos orvalhos e das  estrelas, pontos reluzentes fixados no firmamento, que nos orientam e, até mesmo, ofertam momentos maravilhosos, acolhidos pelos olhos esbugalhados de tanta admiração. A lua, nem se falam. Astro devastador dos corações apaixonados. Bússola norteadora dos caminhos dos peregrinos ao seu ponto final, ou, ao seu porto seguro... 

E o sol, o astro maior de todos, fonte de energia mais sagrada, que faz mover o universo em um segundo; que faz acontecer o viver de todos os seres que aqui habitam?

E eu, pequena semente desse planeta, a tudo isso assisto, mas insisto em me alimentar apenas dos conceitos puros de vida, a fim de que os mesmos possam ser despertados e não apagados da memória do povo. Essa é a minha vontade. É o meu modo de ser.

Por isso, por muitas vezes, recolho-me a esse mundo verdadeiro.


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