José
Ventura Filho
Andando sobre as
nuvens, sem se importar com o consumismo desenfreado pelo modelo político,
social e econômico, vou espontaneamente ao encontro de mim mesmo e da
descoberta dos valores sentimentais e humanitários. Hoje, longe demais.
Desço apenas ao plano
terrestre para vencer os acontecimentos cheios de falsidades, hipocrisias e infantilidades,
todos lançados pelo ódio, à ganância e a inveja, sentimentos revestidos de
menosprezos, qual repugno de imediato.
Deleito-me sobre as sombras
de qualquer árvore frondosa, porque ali repouso e recebo o sossego merecido.
Não tem taxa ou qualquer cobrança do seu uso.
Ando refletindo, sem
qualquer compromisso, pelas ruas silenciosas da cidade, embora desprendendo dos
cuidados necessários para que possa evitar as intempéries advindas das ondas cheias
de violências, decorrentes das ações inertes da sociedade.
Ninguém mais fala das
águas dos mares, dos rios, dos riachos, dos córregos e das fontes; das colinas,
das relvas, das árvores, dos campos, dos animais silvestres, dos cantos dos
pássaros, dos jardins, das praças, das rosas, dos passeios, dos namoros, das brincadeiras
infantis, das prosas e das músicas puras que nos levam a um estágio sereno e
ameno às boas recordações, evocando buquês de nostalgias e emoções...
Não se falam mais da
chuva, dos orvalhos e das estrelas,
pontos reluzentes fixados no firmamento, que nos orientam e, até mesmo, ofertam
momentos maravilhosos, acolhidos pelos olhos esbugalhados de tanta admiração. A
lua, nem se falam. Astro devastador dos corações apaixonados. Bússola
norteadora dos caminhos dos peregrinos ao seu ponto final, ou, ao seu porto
seguro...
E o sol, o astro maior
de todos, fonte de energia mais sagrada, que faz mover o universo em um
segundo; que faz acontecer o viver de todos os seres que aqui habitam?
E eu, pequena semente desse
planeta, a tudo isso assisto, mas insisto em me alimentar apenas dos conceitos
puros de vida, a fim de que os mesmos possam ser despertados e não apagados da
memória do povo. Essa é a minha vontade. É o meu modo de ser.
Por isso, por muitas
vezes, recolho-me a esse mundo verdadeiro.

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