O ministro Luiz Fux, que será o relator no Supremo Tribunal Federal
(STF) dos recursos que possibilitam novo julgamento para 12 condenados
no processo do mensalão, só discordou do relator da ação penal, ministro
Joaquim Barbosa, em três ocasiões durante 112 votações do julgamento no
ano passado, que terminou com 25 condenações e 12 absolvições.
Segundo levantamento do G1, Fux foi o ministro que mais seguiu Joaquim Barbosa,
identificado por advogados como o magistrado mais duro na defesa de
punições aos acusados de envolvimento no esquema que, segundo o Supremo,
consistiu na compra de votos de parlamentares da base aliada durante os
primeiros anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora Fux tenha sido o ministro mais alinhado com as posições de
Barbosa, o fato de ele ser o relator dos novos recursos, os chamados
embargos infringentes, não significa necessarimente uma desvantagem para
os réus, já que as decisões sobre condenações dependem dos votos de
todos os ministros.
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VEJA QUANTAS VEZES CADA MINISTRO DIVERGIU DE BARBOSA NO MENSALÃO |
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|---|---|
|
Ricardo Lewandowski |
47 |
|
Dias Toffoli |
39 |
|
Rosa Weber |
29 |
|
Marco Aurélio Mello |
27 |
|
Cármen Lúcia |
25 |
|
Gilmar Mendes |
9 |
|
Celso de Mello |
7 |
|
Ayres Britto |
6 |
|
Luiz Fux |
3 |
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Cezar Peluso (só participou de 24 das 112 votações) |
2 |
Como o próprio nome indica, o relator é o ministro que faz um relato
aos demais dos pedidos da defesa e da argumentação da acusação. Depois,
ele apresenta o próprio voto, que serve de base para a manifestação dos
outros ministros, que podem trazer novos argumentos e dizer se concordam
ou discordam da posição do relator.
O ministro que mais contrariou o relator Joaquim Barbosa no julgamento
do mensalão foi Ricardo Lewandowski, revisor da ação penal; Com ele,
Barbosa travou vários embates
e discussões ásperas durante os quase cinco meses de julgamento no ano
passado. No julgamento dos embargos infringentes, não há revisor –
somente relator.
Luiz Fux foi sorteado entre nove ministros para ser o relator dos
embargos infringentes – não participaram do sorteio Barbosa e
Lewandowski por serem relator e revisor da ação penal. Esses embargos
valem para os 12 condenados que tiveram ao menos quatro votos favoráveis
e, com esse recurso, poderão tentar reverter condenações por formação
de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Depois que o Supremo considerou válido o recurso que permite novo
julgamento e antes de ser definido quem seria o novo relator, o advogado
Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério, afirmou que "qualquer"
outro ministro do Supremo seria melhor para os condenados do que
Barbosa.
"Qualquer ministro será melhor do que Joaquim Barbosa. Todos vimos a
condução do processo por ele. Isso [dizer que não favorece] seria negar o
óbvio", afirmou o advogado.
Depois de saber que Fux seria o relator dos recursos, Leonardo disse
que mantém a opinião mesmo levando em conta que Luiz Fux foi quem mais
acompanhou os votos de Barbosa.
"Eu mantenho minha posição. É diferente votar na condição de vogal
(ministro que não seja nem relator nem revisor) e na de relator. A
grande diferença é que o ministro Luiz Fux é magistrado de carreira,
recebe advogados, recebe memoriais. É outra situação", disse ao G1.
Joaquim Barbosa já declarou publicamente mais de uma vez que considera promíscuas as relações entre juízes e advogados e que só recebe advogados de defesa na presença do Ministério Público.
Das 112 votações sobre diversos crimes denunciados pelo Ministério
Público, Fux só divergiu de Joaquim Barbosa em relação à ex-dirigente do
Banco Rural Ayanna Tenório, na acusação de gestão fraudulenta, e sobre
as acusações de evasão de divisas contra Duda Mendonça e a sócia Zilmar Fernandes. Nos três casos, Barbosa votou por condenações e Fux, por absolvições.
Durante o julgamento no ano passado, Fux chamou os crimes do mensalão
de "megadelitos" e chegou a afirmar que o Banco Rural serviu de "uma
verdadeira lavanderia de dinheiro".
"A entidade bancária serviu de uma verdadeira lavanderia de dinheiro,
esse deveria ser o nome, nem gestão fraudulenta, nem gestão temerária,
deveria ser gestão tenebrosa."
Celeridade
Nesta quinta (19), Fux afirmou por meio de nota oficial que pretende levar a julgamento no plenário os embargos infringentes "tão logo todas as partes se manifestem".
Nesta quinta (19), Fux afirmou por meio de nota oficial que pretende levar a julgamento no plenário os embargos infringentes "tão logo todas as partes se manifestem".
Ele se referiu ao prazo para que os réus apresentem o recurso, após a
publicação do acórdão dos primeiros recursos, e o parecer do Ministério Público Federal sobre o tema.
O acórdão é o documento que resume as decisões tomadas e, pelo
regimento, deve ser publicado em até 60 dias, ou seja, até novembro.
Depois da publicação, os condenados poderão apresentar os infringentes
em até 30 dias. Em seguida, o Ministério Público terá mais 15 dias para
apresentar sua posição.
Só após a manifestação das partes (defesa e acusação), que Fux, como
relator, irá verificar se o condenado obteve ao menos quatro votos
favoráveis e se o recurso está dentro do prazo. Depois, poderá ainda
pedir novas provas se achar necessário para formular um voto. O próximo
passo é levar o processo para julgamento em plenário. Essa fase de
análise não tem tempo pré-determinado e a duração depende apenas do
próprio ministro relator.
A decisão sobre manutenção ou não de punições ou penas será do plenário do Supremo, ou seja, do conjunto dos 11 ministros, que conta com dois novos magistrados em relação à composição que julgou o processo no ano passado, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso.
A decisão sobre manutenção ou não de punições ou penas será do plenário do Supremo, ou seja, do conjunto dos 11 ministros, que conta com dois novos magistrados em relação à composição que julgou o processo no ano passado, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso.
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